PARÂMETROS ERGONÔMICOS NA CONCEPÇÃO DE VEÍCULOS DE BAIXA EMISSÃO
Aluno: Paulo Victor Santos
Orientadora: Claudia Mont’Alvão
Introdução
Tecnologia Verde (Green Technology) é o termo a que se referem métodos e materiais, que resultam em técnicas que vão desde a geração de energia até produtos não tóxicos (limpos). Este é um campo de pesquisa que estima-se em breve cumprir o mesmo papel que a “tecnologia da informação” cumpriu nas duas últimas décadas.
Dentro deste contexto o Design tem atuado principalmente apoiado da ideologia do “Cradle to cradle design”, onde se pensa todo o processo e ciclo do produto visando a possibilidade de reutilização ou reciclagem. Uma vez que o automóvel é o maior bem de consumo do mercado mundial e um enorme desafio para os designers, surgem diversas questões a serem discutidas e uma das mais importantes diz respeito à inovação das fontes de energia.
De acordo com Oltra et Saint Jean (2009), a indústria automotiva viu-se pressionada a rever a questão das emissões (monóxido de carbono, oxido de carbono, material particulado, etc), além do consumo e ruído, o que encorajou a pesquisa e o desenvolvimento de alternativas. Em 1990, depois do Mandato Zero Emission Vehicle (ZEV), do Californian Air Resources Board, foi impulsionado o desenvolvimento de veículos de baixa emissão (LEV – low emission vehicles). No inicio, a idéia estava concentrada nos veículos elétricos, mas atualmente, veículos movidos a hidrogênio, híbridos, entre outras fontes de energia são também consideradas. Os veículos de baixa emissão (VBE) também apresentam características em relação a sua configuração, autonomia de viagem, além de questões de montagem/desmontagem já dentro da idéia do cradle to cradle design.
Além das preocupações já salientadas é preciso se atentar ao fato do trânsito ser um sistema complexo, no qual vários transportes diferentes compartilham o mesmo espaço e devem trabalhar de maneira complementar. Mesmo o sistema funcionando de maneira ideal ou não, o usuário desenvolve reações de acordo com o mesmo, e estas devem ser consideradas em novos projetos de veículos.
Objetivos
O objetivo geral do trabalho foi analisar como estão sendo desenvolvidos os veículos de baixa emissão – LEV – low emission vehicles, partindo de suas configurações, e como se dão as adequações ergonômicas destes.
Metodologia
Inicialmente, foi feito o levantamento do referencial teórico relativo aos combustíveis e sua utilização em veículos de passeio. A partir de artigos científicos e publicações que tratavam desta temática foi possível mapear as tecnologias desenvolvidas e utilizadas em estudos, além de veículos em circulação. Esse levantamento permitiu também a compreensão de como funcionam os sistemas de reabastecimento de veículos e quais as facilidades e dificuldades encontradas na utilização de cada forma de energia específica.
Posteriormente foi realizado o levantamento do referencial teórico sobre o comportamento do motorista em diversas situações decorrentes do sistema de trânsito contemporâneo.
Como última parte da metodologia, foram levantados dados técnicos referentes a modelos de VBEs e veículos populares de baixa cilindrada do mercado brasileiro. Foi possível entender então o padrão de configuração na concepção dos veículos urbanos disponíveis no mercado brasileiro.
Conclusão
O estudo possibilitou a compreensão do trânsito e suas relações, desde os combustíveis e seus sistemas, passando pelas complexidades da relação e coexistência de diferentes meios de transporte, até os impactos e reações causadas nos usuários de veículos compactos e de baixa emissão.
Em relação aos combustíveis fica evidente cada vez mais que a indústria adotou a alternativa energética elétrica como a ideal a ser utilizada. No entanto, as empresas do ramo automobilístico e governos ainda oferecem resistência aos motores elétricos. Isto se deve ao fato de que o sistema de reabastecimento de combustíveis não-renováveis é muito forte e estruturado em grande parte do mundo, enquanto os veículos elétricos ainda não possuem em grande parte das vezes a autonomia desejada e o sistema de reabastecimento ainda não está desenvolvido de maneira confiável e principalmente, comercialmente viável para o setor energético. A indústria tem trabalhado principalmente com a utilização de biocombustíveis e motores híbridos, enquanto busca a eficiência energética desejada com os motores elétricos. O contexto atual é o de diversidade energética, e para o futuro, mesmo que a energia elétrica seja a principal energia a ser utilizada, o panorama de diversidade de oferta deve continuar.
A análise dos VBEs e dos veículos populares de baixa cilindrada revelou que não existem tantas diferenças no tocante ao espaço interno para motoristas e passageiros. Na realidade existe uma grade padronização nas dimensões de assentos e na relação entre o motorista e os dispositivos dos veículos. O grande diferencial entre os VBEs e os demais carros está centrado na configuração da quantidade de passageiros, e consequentemente no peso e dimensões dos mesmos. Em relação ao desempenho dos mesmos, pode-se observar também uma grande igualdade entre os dois tipos de veículo, com uma ligeira vantagem de eficiência para os VBEs que possuem repostas mais rápidas no trânsito, ocupam menos espaço e desempenham uma autonomia maior.
Os resultados essa pesquisa permitiram uma melhor interpretação do modelo de VBE existente, e uma projeção sobre quais serão os próximos parâmetros para a concepção de veículos de baixa emissão no futuro próximo.
Referências
GREEN CAR, 2009. Disponivel em http://www.greencar.com/find-a-car.php. Acesso em 15 abr.2009.
GREEN TECHNOLOGY, 2009. Disponivel em http://www.green-technology.org/what.htm. Acesso em 15 abr. 2009.
OLTRA V., SAINT JEAN, M. Variety of technological trajectories in low emission vehicles (LEVs): A patent data analysis. Journal of Cleaner Production, vol 17, 2009. pp. 201–213
YOU H. et al. Development of customer satisfaction models for automotive interior materials. International Journal of Industrial Ergonomics, vol. 36, 2006. pp. 323–330

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